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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - ORÇAMENTAÇÃO

 

Autor: Engº Agrº Paulo Fernando Machado / ESALQ - USP

 

A evolução do rebanho e o plano de alimentação explicados no artigo  Planejamento estratégico – Evolução do rebanho e plano de alimentação serão utilizadas para se elaborar a tabela 3 que consiste numa previsão de gastos para os próximos 12 meses e o calculo do custo de produção por litro de leite. Para sua elaboração deve-se ter em mãos os gastos efetuados nos 12 meses anteriores para cada componente de custo como explicado no artigo anterior. Os valores a serem definidos devem ser discutidos e negociados com cada membro da equipe e acordado com o proprietário. Por exemplo, se no ano de 1999 foram gastos $ 20,00 reais por cabeça para pagamento de mão de obra e o proprietário deseja reduzir tal valor para $19,00 reais deve-se levantar todas as variáveis que interferirão neste coeficiente e a possibilidade de atingi-lo. Assim, como exemplo, teríamos como variáveis a redução no número de funcionários e a diminuição no número de horas extras. Para tanto os responsáveis por setores deverão dizer como poderiam dispensar pessoas, sem comprometer a qualidade dos serviços e/ou propor um plano de trabalho, com escala de horários, visando a redução de horas extras.

 

Isto mostra que, para cada alteração nos coeficientes obtidos no ano anterior, deve-se iniciar um plano específico de ação que dê consistência à redução de gasto proposta. Tais planos são chamados de Plano de Ação Dirigido (PAD) e devem contemplar as seguintes considerações: Quem? O que? Quando? Onde? Por que? Como? Quanto custa? Tais planos, se aprovados, darão origem aos planos “PDCA” que serão discutidos em mais detalhes no último artigo desta série.


Tabela 3. Previsão de gastos para os próximos 12 meses e  calculo do custo de produção por litro de leite.

 

2000

1999

Nº Vacas em Lactação

597

525

Produção Média (kg/dia)

31,8

29,6

Valor do Kg de leite (R$)

0,417

0,387

Leite Produzido (Kg)

580.026

470.862

Nº de Animais Total

1.244

1099

Receita Bruta do Leite

241.871

182.224

Custo de Produção

204.253

182.443

 

R$/cab/mês

R$/mês

R$/cab/mês

R$/mês

Alimentação Rebanho

18,9*

108.953

19,5*

91.813

Salários 

19,0

23.567

20,00

22.017

Sanidade 

8,0

9.949

8,2

8.990

Reprodução (vl+nov)

6,0

6.261

6,3

5.811

Material de Consumo

3,0

3.731

3,7

4.092

BST 

6,0

3.584

8,0

4.196

Outras Despesas

2,0

2.487

2,3

2.540

Controle 

1,2

1.492

1,2

1.319

Manutenção e Instalações 

2,9

3.607

3,0

3.259

Manutenção de Máquinas Equipamentos

7,5

9.327

7,6

8.328

Impostos  

1,0*

5.800

1,1*

5.129

Administração 

20,5

25.494

22,7

24.949

Receita Leite - Custo total

37.618

-219

Vendas de Novilhas

1,5

582

 

 

Descarte de Matrizes

16,1

6.112

11,75

4.700

Lucro Operacional Total

44.313

5.441

Custo Total de Criação de Novilhas

2.085

1.876

Custo de Produção de 1L de Leite+Criação

0,364

0,400

Custo de Produção de 1L de Leite-Criação

0,283

0,317

Legenda: 

*Neste caso o coeficiente utilizado é 100kg leite produzido /mês

Alimentação do rebanho = gastos com os ingredientes da dieta, incluindo transporte, para todos os animais do rebanho; os gastos com silagem de milho incluem todas as despesas de produção, colheita e armazenamento do material;
Salários = gastos com mão de obra incluindo ferias e décimo terceiro salário;
Sanidade = gastos com medicamentos, vermífugos, vacinas;
Reprodução = gastos com sêmen e material de inseminação;
Material de consumo = gastos com material de limpeza, areia (cama), papel (ordenha), produtos de limpeza;
BST = compra de hormônio do crescimento;
Outras despesas = gastos com análise de água, etc;
Controle = despesas com controle leiteiro/zootécnico, financeiro;
Manutenção de instalações = gastos com manutenção das instalações como pintura, etc;
Manutenção de máquinas e equipamentos = se os gastos forem superior a 60% do valor do equipamento seria considerado investimento;
Administração = despesas com combustível (menos o utilizado na produção de silagem), eletricidade, gerência, etc.
Impostos = incra, funrural.
Não foram computados despesas referentes à depreciação de instalações e de máquinas. Os animais não foram depreciados porque os custos de criação estão sendo considerados.
Cab = cabeça ou um bovino qualquer que seja a sua idade
VL = número de vacas em lactação
NOV = número de novilhas com mais de 4 meses de idade.

A tabela 3 dará origem à tabela 4, que ilustra a rentabilidade esperada para o negócio nos próximos 12 meses. Nela observa-se a remuneração ao capital investido no ano anterior e a esperada no próximo ano.


Tabela 4. Rentabilidade esperada para o negócio nos próximos 12 meses

 

2000

1999

PADRÃO

Número de matrizes

689

613

 

Leite produzido por matriz (kg/ano) 

10062,7

9217,5

 

Variação número  animais

R$ 3,36

R$ 1,43

 

Receita total (por 100 kg produzido)

R$ 46,26

R$ 41,13

>40

Custo total (por 100 kg produzido)

R$ 35,34

R$ 38,75

<35

Lucro líquido (por 100 kg produzido)

R$ 10,93

R$ 2,38

>5

Relação receita total/patrimônio

0,57

0,46

>0,80

Taxa de retorno sobre a receita total

23,6% 

5,8%

>15

Taxa de retorno sobre o patrimônio

14,6%

2,7%

>12

Patrimônio total

R$ 5.200.000

R$ 4.909.000

 

Patrimônio em animais inicio do ano

R$ 1.850.000

R$ 1.709.000

 

Patrimônio em máquinas e equipamentos final do ano

R$ 1.450.000

R$ 1.400.000

 

Patrimônio em benfeitorias e terra final do ano

R$ 1.900.000

R$ 1.800.000

 

Patrimônio por vaca início do ano

R$ 7.544

R$ 8.008

<5000

Porcentagem do patrimônio em animais

36%

35%

>50

Porcentagem do patrimônio em máquinas e equipamentos

28%

29%

<20

Porcentagem do patrimônio em benfeitorias e terra

37%

37%

<30

Finalmente, deve-se orçar os gastos com cada componente de custo para cada um dos meses do próximo ano. Tal tarefa é de suma importância pois determinará os déficits de caixa e o aporte externo de recursos que pode comprometer totalmente o negócio.

 

Desta maneira completa-se o planejamento estratégico de médio prazo para a exploração. Tal tarefa é fundamental para o sucesso financeiro da atividade leiteira visto ser uma atividade que exige grande aporte de capital de giro, principalmente nos meses de janeiro, fevereiro e março, quando a produção é menor, o gastos são maiores e o preço do leite é menor.

 


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