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ALERTA FITOSSANITÁRIO:

MOSCA - DA - FRUTA.

 

As moscas-da-fruta compreendem espécies de insetos, que causam grandes danos a agricultura mundial, e estão disseminadas em todos os continentes com exceção do ártico e o antártico.

São conhecidas mais de 200 espécies de frutas e hortaliças cultivadas que hospedam as moscas-da-fruta em todo mundo, sendo as mais importantes os cítricos, pêssego, manga e goiaba. A preferência de uma espécie vegetal como hospedeira das moscas-da- fruta, varia conforme a região e a capacidade da praga de adaptar-se a novos hospedeiros ao invadir novas áreas.

As espécies encontradas com maior freqüência causando danos a citricultura brasileira são: Anastrepha fraterculus e Ceratitis capitata.

Os prejuízos mundiais causados por esta praga aos países produtores de cítricos são da ordem de 85 milhões de dólares.

Após a postura e a eclosão dos ovos,  que se dá no interior dos frutos, a larva completa o ciclo, saindo apenas para se transformar em pupa. Normalmente há mais de uma larva no interior do fruto.

O período de incubação dos ovos da A. fraterculus, à temperatura de 25oC varia de 2,5 a 3,5 dias, o desenvolvimento da larva entre 11 a 14 dias e o período pupal varia de 10 a 15 dias, sendo o ciclo de vida completado em 23 a 33 dias. A tempo de vida de adultos é de aproximadamente 160 dias. O período de pré-oviposição, em que a fêmea desenvolve os órgãos do sistema reprodutivo, varia de 7 a 30 dias. A fase de oviposição tem duração de 65 a 80 dias, período em que a fêmea faz a postura de 278 a 437 ovos.

Adulto fêmea de Anastrepha fraterculus

Adulto fêmea de Ceratitis capitata

              

 

Perguntas e respostas:

 

1) Como posso saber se meu pomar está sendo atacado por moscas-da-fruta ?

 

Ao inspecionar o pomar, caso um ataque esteja em curso, facilmente o citricultor poderá ver frutos danificados pelas moscas-da-fruta, pois os frutos apresentam geralmente uma mancha circular marrom e ocorre o apodrecimento junto a área da picada. É importante que não se confunda infestações de moscas-da-fruta com bicho-furão. Estes após  penetrar no fruto, lançam excrementos e restos de alimentos para fora da casca. O  excremento do bicho-furão endurece e fica bem visível, grudado à abertura da  casca. O local da fruta atacado pela mosca fica mole e apodrecido enquanto o atacado pelo bicho furão torna-se rígido.

O ideal é fazer a detecção das moscas-da-fruta antes mesmo de se iniciar maciçamente as posturas. Isto é possível utilizando-se armadilhas do tipo McPhail ou armadilhas confeccionadas de embalagens plásticas, contendo atrativos alimentares. Além da Anastrepha esta armadilha também captura outros gêneros de moscas-das-frutas. Os atrativos alimentares considerados mais eficientes na citricultura paulista são; proteína hidrolisada na dosagem de 5% e melaço de cana a 10%. A proteína hidrolisada captura em maiores proporções moscas do gênero Anastrepha, ao passo que o melaço de cana normalmente é mais atrativo para C. Capitata. Para se obter dupla eficiência pode-se  misturar proteína com melaço, na proporção de 2,5 e 5% respectivamente. As avaliações e troca do atrativo devem ser semanais. Como o melaço e a proteína hidrolizada são substancias que estragam com facilidade, pode-se utilizar bórax a 5% no atrativo, para aumento de sua durabilidade.

Para se capturar exclusivamente a mosca C. capitata utiliza-se armadilha Jackson, com isca de feromônio sexual Trimedilure. As armadilhas são colocadas  em proporções que variam de uma para cada 1 a 3 hectares. Na planta deve ser colocada à aproximadamente 1,60-1,70 m de altura e no centro da área a ser monitorada. A armadilhas e o feromônio devem ser trocados a cada 6 semanas. Recomenda-se durante todo o ano, duas vistorias por semana. As infestações normalmente recomeçam nas periferias dos talhões e áreas vizinhas de  matas.

 

Armadilha McPhail

Armadilha Jackson

 

 

2) Qual o momento ideal para se controlar esta praga e quais os métodos de controle indicados ?

 

Devido à proximidade  das propriedades, a coexistência variedades de cítricos diferentes, frutos temporões e frutas silvestres, constataremos a presença de moscas mas regiões citrícolas brasileiras o ano todo. Por isso alguns citricultores adotam o que chamamos de “Tratamento Mínimo Preventivo” (TMP), que consiste em aplicações de iscas tóxicas mesmo em períodos de baixas capturas de moscas adultas. No TMP os intervalos de aplicação são de 15 dias e aplica-se uma rua a cada 10, e uma planta a cada 4.   Os tratamentos nas suas modalidades deverão ser intensificados conforme a maturação dos frutos e as indicações das armadilhas.O nível de controle  intensificado para Anastrepha, capturada com armadilha tipo McPhail, é de 1 adulto/armadilha/dia ou de 7 adultos/armadilha/semana. Para C. capitata, monitorada por meio do feromônio Trimedilure, é de 2 machos/armadilha/dia ou 14 machos/armadilha/semana.

 

Métodos de controle:

 

Controle químico

 

O controle é realizado com a aplicação de iscas tóxicas, que consiste em uma mistura composta por substância atrativa, proteína hidrolisada ou melaço, na diluição de  5%  e inseticida. Os inseticidas recomendados para utilização em iscas tóxicas são: chlorpyriphos, deltamethrin, diazinon, dimetoato, ethion, fenthion, parathion methyl e triclorfon.

Quando o tratamento químico é intensificado por observações das armadilhas, utilizam-se intervalos de aplicações de  armadilhas de 4 a 7 dias, uma linha em cada 4 e uma planta a cada 4.

 

Controle cultural

 

Não deixar nas arvores frutos temporões que não serão aproveitados economicamente, pois nestes frutos o bicho-furão poderá se reproduzir até a chegada dos frutos da florada principal, iniciando-se assim uma safra já com altas populações da praga.

Os frutos atacados presentes nas plantas deverão ser derrubados com ganchos e triturados ou enterrados, interrompendo o ciclo do inseto e a constituição de novas gerações. Se a opção for enterrar os frutos, estes deverão ser enterrados no mínimo a 30 cm de profundidade. Cada larva de fêmea morta poderá significar de  278 a 437 posturas a menos no pomar. No planejamento do pomar é preferível o agrupamento de talhões de variedades precoces, meia estação e  tardias. O citricultor poderá notar que as primeiras variedades atacadas pelas moscas são as de maturação precoce. Esta organização também propiciará maiores facilidades para controle de outras pragas, muitas delas atraídas pela coloração do fruto maduro.

Controle biológico

 

Inimigos naturais:                                                                                         

Em 1994 o parasitóide Diachasmimorpha longicaudata, proveniente da Florida, EUA, foi  introduzido no Brasil. O Centro de Energia Nuclear na Agricultura – USP (CENA) vem realizando a criação em massa e a liberação deste parasitóide para controle de moscas-das-frutas. O inimigo natural vem apresentando bom controle e está sendo utilizado em programas de manejo da praga.

O citricultor poderá verificar no pomar a presença de parasitas de larvas, colocando frutos atacados recolhidos somente nas árvores, em caixas de madeiras com visor de vidro nas tampas. As caixas deverão ter uma camada de 3 cm de areia no fundo e capacidade para se colocar de 10 a 40 frutos.

Diachasmimorfa longicaudata

Serão observados diariamente a emergência dos insetos que poderão ser coletados em pequenos frascos de vidro. O que se espera é que nem todos as larvas completem o ciclo por causas diversas (parasitismos, doenças, etc). Algumas moscas irão surgir, onde o citricultor poderá identifica-las, comparando com as capturadas nas armadilhas ou fotografias. Se houver vespas parasitas, elas também completarão seu ciclo evolutivo na caixa e logo serão visíveis. Quanto mais alto  numero de vespas obtidas por fruto, melhor será o equilíbrio biológico do manejo que se realiza na propriedade.

 

Machos estéreis

 

O CENA também possui um laboratório especializado em criação de machos de moscas estéreis. A técnica consiste em liberar machos de C. capitata esterilizados com radiação gama, que por sua vez competirão pelo acasalamento com machos férteis do pomar. As fêmeas que acasalam o fazem uma única vez por toda vida, por isso quando a cópula é feita com um macho estéril não haverá reprodução.

 

Fungos entomopatogênicos

 

É comum se observar nos anos secos, o aumento das populações de moscas-da-fruta. Devido a baixa umidade de solo e conseqüentemente redução na atividade microbiana nas camadas superficiais, os fungos que infectam larvas de moscas irão estar pouco ou nada ativos.

Dentro do chamado manejo global, é interessante o controle de plantas daninha de maneira a produzir sempre coberturas mortas “mulching”, com herbicidas ou roçadeiras próprias para este fim. Quando as larvas das moscas se lançarem ao solo para empupar, poderão encontrar condições para serem infectadas por fungos.

 

3) Se eu controlar as moscas-da-fruta e meu vizinho não controlar, poderei perder todo meu trabalho ? 

 

Sempre será melhor o combate conjunto das moscas-das-frutas, ou de qualquer outra praga, em acordo com os vizinhos. No entanto se isto não for possível, assim mesmo a operação de controle deverá ser realizada. Na pratica é possível observar citricultores bem sucedidos no controle das moscas-da-fruta, mesmo sem a cooperação dos vizinhos. Neste caso as operações se tornam onerosas e

Os pomares abandonados tornam-se um grande problema para as propriedades próximas que desejam controlar as moscas-das-frutas. Por vezes, o citricultor em atividade terá maior eficiência e menores custos, se realizar também operações de controle esporadicamente dentro da propriedade vizinha abandonada.

 

4) As moscas-da-fruta hospedam-se em  plantas silvestres ?

 

Além das plantas cultivadas, como pêssego, nectarina, manga, goiaba, carambola e acerola, existem muitas plantas silvestres que hospedam as moscas das frutas. As mais conhecidas são, araçá, gabiroba, goiabeiras silvestres, uvaia, seriguela, etc.

Não se deve, e não há como se realizar controle químico em plantas hospedeiras localizadas em matas e reservas nativas. No entanto alguns citricultores, procuram localizar e colher os frutos silvestres e intensificar o controle nos talhões vizinhos às matas. 


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